[Memory Khard] – Alan Moore

Revista em quadrinhos, é uma forma de se expressar o estilo de vida de uma sociedade em seu respectivo momento. Existem grandes autores que aproveitaram bem esses momentos para deixar suas marcas na sociedade e fazer o seu estilo de roteiro e desenho. Podemos citar, Frank Miller, que é conhecido pelo lado sombrio; Neil Gaiman, com seus desenhos de grandes contrastes psicodélicos misturado com a mitologia grega e para completar essa trindade, vale falar daquele que para mim é o melhor de TODOS: Alan Moore.

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Alan Moore nasceu em 1953, na cidade de Northampton, Inglaterra, onde reside até hoje. Oriundo de uma família de operários, ele foi expulso do colégio aos 17 anos por uso de drogas; assim, ao mesmo tempo em que teve de dedicar-se  a várias ocupações menores para garantir seu espaço no mundo dos quadrinhos. Em 1979, Alan Moore começou a colaborar no jornal da sua cidade, o Northants Post, escrevendo e desenhando semanalmente, com o pseudônimo Jill de Ray, a tira Maxwell The Magic Cat, que durou até 1986.

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Embora limitado pelo número de páginas que lhe era permitido e pela grande variação de artistas a ilustrarem seus roteiros, o trabalho de Alan Moore acabou interessando outras publicações do Reino Unido, como  Eagle, Doctor Who Weekly e Scream, que também lhe abriram suas páginas. Para Doctor Who, publicada pela Marvel inglesa, ele produziu histórias focalizadas em personagens secundários da série, mas que agradaram bastante aos leitores.

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Apesar da qualidade do trabalho que apresentava para essas publicações, pode-se dizer que a estrela de Alan Moore só começou a brilhar de verdade quando ele passou a colaborar para a revista Warrior, na qual ele teve a possibilidade de exercer um nível de liberdade criativa que lhe havia sido negado anteriormente. No primeiro número dessa publicação, em março de 1982, aparecem dois de seus mais conhecidos trabalhos, Marvelman (posteriormente rebatizado como Miracleman, devido a questões de direito autoral) e V de Vingança. Ainda que haja muitas diferenças entre elas – a primeira constitui uma re-leitura de um clássico super-herói das histórias em quadrinhos, enquanto a segunda representava ao mesmo tempo uma fábula distópica e um suspense detetivesco -, com essas duas séries o autor inglês demonstrou o que era capaz de fazer quando tinha liberdade e espaço para desenvolver suas narrativas na linguagem gráfica sequencial. Alan tem diversos trabalhos conhecidos por todo mundo, mas nessa Memory Khard irei falar aqui os meus quadrinhos favoritos.

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Watchmen  é tão bom que sua qualidade não pode ser quantificada. Não há meio de comparar com outra coisa. Watchmen é a obra-prima de Moore, um triunfo do gênero de desconstrução de super-heróis. A história levanta a questão de o que aconteceria se os super-heróis fossem reais. Quem seriam super-heróis? Que tipo de problemas pessoais ou motivações faria alguém se vestir com uma roupa colorida e lutar contra os criminosos? E o que aconteceria se um super-herói verdadeiro, aquele que tinha poderes reais, existisse na vida real? A história de Watchmen é incrivelmente desafiadora. Resumindo, a obra é sobre um grupo de vigilantes e uma figura superpoderosa que se encontram no meio de um conflito que poderia acabar com a vida de milhões de pessoas. Moore usou o gênero de super-heróis para explorar ideias de identidade pessoal, o pós-modernismo e o papel do poder na sociedade. Watchmen ganhou uma adaptação para o cinema, dirigida por Zack Snyder que para uns é uma adaptação horrível, mas na minha humilde opinião, foi feita uma excelente adaptação. Dizem que o fato de não usarem o alienígena como inimigo da serie foi a pior coisa a ser feita e o fato de usarem o Dr.Manhatam como inimigo não foi bem digerido pelos fãs fanáticos. Eu já gosto do final porque o único ser com superpoderes ali e que podia fazer uma ameaça à humanidade era ele. Zack Snyder respeitou a mitologia do universo de Alan Moore e entregou um filme bom digno. Eu gostei! Quem não gostou, paciência!

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Todo ser humano pode ter um dia ruim e todo ser humano pode surtar. Alan Moore me entregou “Em A Piada Mortal”, de 1988, o melhor Coringa de todos os tempos. Nesta HQ é mostrado um lado tenebroso e genial  de Alan Moore, o mesmo Batman que se dedicara mental e fisicamente para combater o crime e salvar sua cidade das mais terríveis e diversas ameaças, questiona o seu próprio fim (depreendemos isso através de sua atitude, no início da história) e, ao invés de empreender uma luta final contra o seu mais importante inimigo, faz algo inusitado: propõe uma conversa, um acerto diplomático de contas. Alan Moore faz com que o leitor pense sobre a relação de igualdade entre os dois homens, e para isso, nos traz pela primeira vez a história do Coringa. Tivemos outra adaptação de outro Coringa que é o que foi interpretado por Heath Ledger em “The Dark Knight”, que é baseado um pouco no Coringa de Alan Moore. No filme Heath Ledger usa o seu ideal anárquico e destrói o símbolo de Gotham,  Harvey Dent. Já na HQ, Coringa usa de sua loucura insana para destruir a mente do Comissário Gordon, sequestrando e deixando paraplégica sua filha e acabando com a sua mente. A Piada Mortal é uma HQ curta e da para se ler em um dia. Existe um boato que o Batman mata o Coringa nessa HQ, mas isso iria contra o código de conduta do Cavaleiro das Trevas. Cabe a quem ler, interpretar se a esse fato. Para mim, ele realmente mata o Coringa! E para vocês?

A próxima HQ que irei citar muitos a usam como símbolo para um mundo em que pessoas com mentalidade um pouco… errr… digamos que surreal demais, que acha que botar uma Mascara ira salvar um pais. Nos dias de hoje, no meio a tantos protestos em nosso país por conta da corrupção do governo e pela falta de estrutura e serviços básicos como educação, saúde e transporte público, um personagem se destaca, este personagem usa uma máscara e se tornou símbolo da revolução brasileira. Mas você sabe quem ele é e porque se tornou figurinha carimbada em todas as coberturas dos protestos feitas pela mídia? Pois você ficara sabendo agora.

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V de Vingança é uma HQ distópica ambientada na Grã Bretanha, num passado alternativo de governo totalitário, onde a sociedade acabou de sair de um grande conflito político, e onde os negros, os gays e qualquer um considerado diferente do padrão estabelecido pelo governo eram oprimidos psicologicamente e fisicamente (a semelhança com o Nacional Socialismo Alemão, o Nazismo, não é mera coincidência).

Nesse ambiente criado por Alan More e David Lloyd, existem câmeras por todos os lados vigiando a população. Há toque de recolher e tudo é controlado pela uma ditadura militar, sem que a população tenha direito à liberdade de expressão ou a qualquer tipo de controle da própria vida. Eis que surge “V”, um herói mascarado, com um plano muito bem elaborado para derrubar o governo e expor seus governantes. Ele visa trazer de volta o poder da sociedade, a liberdade e a justiça. Para atingir seu objetivo, ele não poupará energia e nem terá falsos escrúpulos. Para “V”, o fim justifica os meios. “V” é um personagem fantástico, munido de seu senso de justiça e sua sede por vingança. Ele salva uma garota chamada “Evey” e conta com ela para disseminar seu legado, quando ele não estiver mais aqui. Ela será a pessoa que dará continuidade ao trabalho de “V” depois de sua partida.

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“V de Vingança” ganhou sua adaptação para o cinema escrita e dirigida pelos Irmãos Wachowski e foi muito bem recebida pelo publico e critica. Como destacado acima, muitas pessoas que veem “V” como um símbolo de liberdade e de luta pelos seus direitos, mas a historia da HQ é completamente diferente da do filme. O V dos quadrinhos não faz Torradinha de Ovo com avental e nem chora apaixonado. Mais explicitamente que no filme, o que motiva o V dos quadrinhos é seu plano de vingança. Ele tem uma lista de pessoas que quer matar. E ele as mata! Mais do que isso, ele quer matar o regime político que possibilitou toda essa violência. Ele quer por abaixo toda a estrutura totalitária. Ele quer acabar com todos os frutos e vestígios dessa estrutura, incluindo a si mesmo. No final dos quadrinhos, não há uma marcha bonita e harmoniosa de pessoas unidas como no filme. O final dos quadrinhos é o caos, é uma sociedade posta abaixo. Saques, gritos, violência. Não interessa como essa sociedade vai se reerguer. A história termina ali, porque “V” conseguiu sua vingança. O povo não era importante. A vingança era a causa principal. O que eu acho legal é usar ele de símbolo, mas não o usar como instrumento de violência e vandalismo que é o que acontece na maioria das vezes. O “V” que devemos ver na visão de revolução brasileira é de lutar por um governo justo, combatendo a corrupção e trazendo a mudança.

Falando tudo isso, vale muito a pena ler, pois se trata de uma HQ que irá passar tempos e tempos e ela sempre será contextualizada com o tempo que for.

 

Quando você fizer uma busca na Internet por Alan Moore, sem dúvida, ira evidenciar inúmeras afirmações à contribuição do britânico Alan Moore para o avanço das histórias em quadrinhos. Por isso que para mim é o meu escritor favorito

Remember, remember, the Alan Moore Forever…”

Texto David Ferreira
Revisão J. A. Zacharski

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