[Memory Khard] – Cinema Nacional

Ia escrever sobre Star Wars, mas numa conversa com um amigo no Facebook decidi mudar de tema. É natural que temos uma gama gigantesca de grandes filmes que marcam a historia do nosso cinema, mas ai que vem a minha pergunta: Por que o cinema brasileiro não consegue arrebatar, bater de frente ou chegar pelo menos no nível de uma bilheteria de um filme estrangeiro? Vou tentar explicar.

 

Primeiro, vou tentar explicar o que é a origem do cinema brasileiro para mim. Quem nasceu na década de 80 sabe bem o que era crescer sem as facilidades da internet.  E, para ter acesso aos filmes de conteúdo adulto, ou era através das VHS e CD’s emprestados por amigos, ou tínhamos que recorrer às programações noturnas do Canal Bandeirantes, com os filmes nacionais que exploravam o erotismo e comédia: as pornochanchadas. As pornochanchadas, responsáveis por boa parte da bilheteria dos cinemas dos anos 70/80, ainda popularizaram atores e atrizes de grande porte nacional. Tanto que por muito tempo o filme Dona Flor e seus Dois Maridos foi a maior bilheteria da historia do cinema nacional, sendo ultrapassada somente nos dias de hoje por Tropa de Elite 2. Com o passar do tempo, com a evolução da dramaturgia brasileira, foram feitos bons filmes. O ápice do cinema nacional foi ter uma indicação ao Oscar, com Fernanda Montenegro em Central do Brasil. Com uma exceção do estereotipo do “nordestino engraçado” e de inúmeras comedias muito ruins eu cito aqui o meu top 5 de filmes brasileiros.

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O Auto da Compadecida é um filme brasileiro de comédia dramática lançada em 1999. O enredo do filme se desenvolve com ambientação no sertão nordestino especificamente no sertão da Paraíba numa cidade próxima a Taperoá, em torno de dois personagens principais: João Grilo (Matheus Nachtergale), um sertanejo mentiroso e Chico (Selton Mello), o maior covarde da região. Ambos são muito pobres e sobrevivem de pequenos negócios e golpes, enquanto vagam pelo sertão. Em um desses golpes, eles se envolvem com Severino de Aracaju (Marco Nanini), um temido cangaceiro, que os persegue pela região. Com uma mistura de drama e comédia, o filme também aborda aspectos culturais e religiosos do nordeste do Brasil.

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Besouro é um filme brasileiro que conta a vida de Besouro Mangangá, um capoeirista brasileiro da década de 1920, a quem eram atribuídos feitos heroicos e lendários. Teve sua estreia nos cinemas no dia 30 de outubro de 2009. Em uma época na qual os negros ainda não tinham conquistado sua liberdade, embora formalmente fossem considerados livres, alguns ex-escravos encontraram um caminho para lutar pelos seus direitos, uma estranha coreografia que mesclava luta e dança, conhecida como Capoeira. É neste cenário que surge um dos heróis mais lendários do Brasil, Besouro. Esse enigmático personagem da história brasileira veio ao mundo em 1897, oito anos depois da libertação legal dos escravos, em Santo Amaro da Purificação, cidade localizada no Recôncavo Baiano. Seus pais, João Grosso e Maria Haifa, eram ex-escravos. As cenas de ação são excelentes e foi uma das poucas vezes que eu fui para o cinema ver um filme brasileiro muito empolgado. Por ser um filme que conta todo esse arco histórico da luta dos escravos também tem em evidencia a questão da religião. Vale ressaltar que as coreografias desse filme são do mesmo coreógrafo de Kill Bill.

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2 Coelhos é um filme de ação brasileiro de 2012 que recebeu 3 Grandes Prêmios do Cinema Brasileiro, incluindo indicações a Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e ganhou o premio de melhor montagem pela Associação Brasileira de Cinematografia. O que vale a se destacar nesse filme são os efeitos especiais com criações de cenas do jogo Grand Theft Auto (GTA). Outra cena que envolveu bastante um grande trabalho de efeitos foi uma cena interpretada por Alessandra Negrini, quando ela tem um confronto com monstros de sua crise de síndrome de pânico. Essa sequência demorou cerca de cinco meses para ser concluída.  Primeiramente, Alessandra passou por aulas de manuseio de espadas. Depois, ela foi filmada contra um fundo verde da técnica de efeito visual Chroma key, em seguida, os personagens e o fundo foram criados. Conclusão, tudo foi unido em uma única cena.

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Dirigido por Fernando Meireles, Cidade de Deus é um filme de drama brasileiro de 2002. O filme retrata o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus entre o final da década de 1960 e o início da década de 1980. Recebeu quatro indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Fico contente quando, no mundo da cinematografia nacional, surge um filme de tanta grandiosidade. Fazendo com que o mundo lá fora nos conheça por sabermos fazer coisas muito boas. Rodado integralmente nas favelas cariocas de Cidade Alta, Nova Sepetiba e Cidade de Deus, o filme já nasceu polêmico. Como são territórios controlados pelo narcotráfico, a produção precisou de autorização das associações de moradores, que – obviamente – reportam-se aos chefes do crime local. Acertado isso, o acesso às locações foi garantido, com a ressalva de que deveriam contratar o maior número possível de moradores das comunidades para trabalhar nas filmagens. Acredito que a partir dai o cinema nacional foi começando a ganhar uma forma mais respeitosa de minha parte.

tropa

Chegamos ao meu filme favorito. Dando tapa na cara de muitas pessoas, Tropa de Elite é o melhor filme brasileiro já feito! Tudo isso começou lá atrás com Cidade de Deus quando entendemos que podemos fazer filmes bons e ganhou forma com o Tropa de Elite. Lançado em 2007 nos cinemas, dirigido por José Padilha o filme é baseado no livro chamado Elite da Tropa escrito por Rodrigo Pimentel. Atuação de Wagner Moura como Capitão Nascimento é um primor, nunca pensamos que no cinema brasileiro iriamos ter um brucutu e eis que surge Capitão Nascimento dando tapa na cara de todo mundo. Tropa de Elite é um filme que mostra que com bom enredo e boa direção podemos fazer coisas grandiosas. Além de Wagner Moura que está excelente no papel, temos também as famosas frases marcantes que até hoje usamos no decorrer do dia como: “Quem manda nesta porra sou eu”, Pra rir tem que fazer rir, “Não vai subir ninguém” e o “Na cara não”. Tropa é isso um filme com um personagem marcante, um roteiro com frases excelente, um filme com cenário calcado na realidade e o principal de tudo, conquistou reconhecimento não só daqui mas também do mundo.

Bem, esses são os meus filmes favoritos. É claro que temos muitos filmes bons e que nos cinemas as vezes não conseguimos assistir por causa das salas que já estão lotadas. O investimento tem que ser feito em pessoas corretas que saibam fazer coisas boas. Não fazer comedias sem graça, pois se na televisão não tem espaço para se ter o programa na grade, coloca na tela do cinema e tira espaço de filmes bons. Eu já fui muito preconceituoso em relação ao cinema brasileiro, mas esse preconceito aos poucos está diminuindo.

 

David

About David

Sou apenas um Khara que busca seus objetivos com o tempo.

  • Diego Costa

    Ola!!!

    Caraí David, que texto animal! Ficou muito bom e coerente com a proposta de mostrar o cinema nacional e eu sigo vc no sentido de que nao gostava de filme nacional!

    Na tua lista tem 2 filmes que sao meus favoritos tb: Auto e Tropa!

    Auto da Compadecida foi o filme que me mostrou que cinema nacional pode fazer coisa boa, depois veio CDD, Deus é Brasileiro, Andando nas Nuvens, Bellini e a Esfinge e por fim os fodoes Tropa 1 e 2!

    Agora to na expectativa de Reza a Lenda que vai sair em janeirono cinema e tem um ar e inspirações fortes de Mad Max.

    Cara, parabens novamente e continue com temas tao diferentes!