[Memory Khard] Gangues Famosas da Ficção

Circulo de pessoas. Às vezes podemos definir essa frase em vários tipos de convívios sociais. Pode-se ter um circulo de amizade, ou circulo de trabalho, ou que nós quando éramos crianças tínhamos nosso “grupinho” que chamávamos de gangue. Mas qual é o significado da palavra gangue? E o que são elas?

A urbanização que acompanhou a Revolução Industrial deu origem a gangue de rua moderna. Este início foi na cidade de Nova Iorque, o epicentro da atividade das gangues nos Estados Unidos no século XIX. Áreas pobres da cidade,  como Five Points, forneceram terreno fértil para gangues com fortes identidades étnicas, geralmente irlandesas. Gangues baseadas nas etnias polonesa, italiana ou em outras, também eram muito comuns. Os Forty Thieves, Shirt Tails e Plug Uglies lutavam pelo território, roubavam e assaltavam pessoas e às vezes uniam-se para lutar contra gangues de outras áreas da cidade, como a zona portuária e o distrito de Bowery. Algumas das gangues mais notórias nos Estados Unidos são os Crips e os Bloods. Os Crips começaram em Los Angeles no final dos anos 60, em parte em resposta às atividades de outras gangues da zona leste da cidade. Conforme a gangue cresceu em poder, gangues menores juntaram-se a ela, até que gangues afiliadas aos Crips dominaram a cidade. Os Bloods formaram-se em resposta, conforme as gangues menores e não pertencentes aos Crips procuravam sua própria base de força. A rivalidade entre Crips e Bloods é um círculo vicioso, mas brigas internas entre diferentes “bandos” de cada gangue provavelmente resultaram em mais assassinatos que a rivalidade em si. Hoje, ambas as gangues têm as suas “franquiadas” operando fora das cidades por todo o país. Nos anos de 70 e 80, as drogas narcóticas tornaram-se mais predominantes nas ruas. Armas de fogo também se tornaram mais fáceis de serem compradas ilegalmente. Essa combinação fez entrar para uma gangue de rua algo mais lucrativo e mais violento. No geral, a atividade das gangues atingiu o pico em meados dos anos de 1990.

Bem, já que eu dei um pequeno resumo da origem das gangues. Vamos agora falar daquelas gangues “boas”, que um dia, pensamos em nos tornar parte delas.

Vamos para o ano de 1846 para o embate de americanos e irlandeses tinham duelos sanguinolentos em  Gangues de Nova Iorque. Duas gangues rivais, os Nativistas (americanos) e os Coelhos Mortos (irlandeses), liderados respectivamente por Bill, o Açougueiro, e por Vallon, o Pastor, entram em combate disputando o controle das Cinco Pontas. Os integrantes das gangues mergulham num conflito campal que resulta na morte de Vallon, deixando seu filho órfão. Dezesseis anos depois, Amsterdan volta para Nova York querendo vingar a morte do pai. O que ele não podia imaginar é que se tornaria protegido de Bill. Em meio a conflitos internos, Amsterdan passa seus dias tentando conquistar a confiança de seu inimigo esperando o momento certo para matá-lo, mas a atração por uma misteriosa mulher culminará na descoberta do seu disfarce colocando a sua vida em risco. O que Bill fará quando descobrir que seu pupilo não passa de uma pessoa querendo a sua morte? O que eu acho mais legal nesse filme é o fato de vivermos em uma América desconstruída sem aquele ideal do sonho americano. Bastou os irlandeses pisarem em solo americano para perceberem a fria na qual tinham se metido. O final do filme é bem interessante, por ver  como o Governo tentou tomar o poder da cidade, matando todos os membros das gangues ali mesmo. É meio que uma forma de oprimir um mal que infligia a sociedade naquela época, mas se fosse aplicado hoje em dia, os direitos humanos não iam deixar isso acontecer.

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A próxima gangue que eu queria estar tinha que ter uma moto e não é Sons of Anarchy. Falo de uma das melhores animações já feitas que é Akira. A história se passa em um futuro de um Japão onde a cidade de Tóquio está se reconstruindo, depois de ter sido destruída na III Guerra Mundial. Segundo vem depois a constar, a III Guerra Mundial foi (supostamente) iniciada pelo crescimento incontrolável de poderes sobrenaturais de uma criança chamada Akira, que foi registrado num programa governamental secreto de pesquisa. No tempo real do enredo, 30 anos depois da III Guerra Mundial, uma gangue de motoqueiros liderados por Kaneda é envolvida numa luta com a gangue rival, quando o membro mais novo da gangue de Kaneda, Tetsuo, colide numa auto-estrada com uma criança misteriosa que havia escapado do programa de investigação psíquica secreta do governo. Tetsuo é depois levado pelos responsáveis deste programa governamental juntamente com a criança, e são sujeito às mais diversas experiências. O incidente com a criança misteriosa bem como os testes realizados acordaram os poderes latentes de Tetsuo, com consequências desastrosas. A ideia de Akira é em torno da ideia básica de indivíduos com poderes sobre-humanos, em particular as capacidades psicanalíticas, mas grande parte da história não se concentra apenas nestas capacidades, mas, sobretudo nas pessoas envolvidas, problemas sociais e políticos. O comentário social não é particularmente profundo ou filosófico e sim sobre um olhar crítico sobre a alienação da juventude, a ineficiência e corrupção do governo, o cientificismo, isto é, a insensibilidade científica e sua subjugação aos interesses do poder, e um sistema militarizado, desagradado com os compromissos da sociedade moderna. Onde nos vemos as crianças sendo os adultos da trama, querendo mudar o mundo com as suas próprias mãos. E quem não queria ter a motinho de Kaneda que é simplesmente incrível, vale a lembrança da abertura do filme com uma trilha sonora perfeita.

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Deixei agora um dos melhores para o final. Um filme que marca o fim dos anos 70, iniciando os anos 80. Para alguns que irão ler essa resenha, vão se sentir realizados ao falar de Warriors. Eu considero um pouco lento e com algumas pontas sem explicação, mas o filme é excelente. A história se passa em Nova Iorque no ano de 1979. A cidade está tomada pelas gangues de rua que guerreiam entre si e contra a polícia. Cyrus, o líder da maior gangue da cidade, os Gramercy Riffs, declara uma trégua e convoca uma reunião geral no Bronx com a intenção de unir todas as gangues para a dominação total da cidade. No entanto, durante o seu pronunciamento, é assassinado por Luther, líder dos Rogues. Fox, membro dos Warriors, do distante bairro de Coney Island, testemunha seu ato e é visto por ele. Para se salvar Luther imediatamente acusa os Warriors de assassinar Cyrus, fazendo com que os Riffs matem Cleon, líder do grupo, e persigam o resto da gangue por toda a cidade, após anunciarem numa estação de rádio que querem todos os Warriors, vivos ou mortos. Existe também o livro do filme Warrios. Dizem que a obra literária é melhor que a cinematográfica, mas eu acho que as duas funcionam bem em cada época. O livro é inspirado nos então chamados delinquentes juvenis que Sol Yurick conheceu de perto ao trabalhar como assistente social, os personagens são anti-heróis de carne osso, capazes de atos de bravura e covardia com igual intensidade. Um retrato fiel dos conflitos de jovens à margem da lei durante uma época de contestação social, conflitos raciais e revoluções criativas. Nunca joguei o jogo para Playstation 2, nunca consegui pegar uma sessão do Corujão da Globo para ver o filme, mas graças a internet consegui assistir. Mesmo sendo lento e com pontos sem explicação vale muito a pena ver e vou correr atrás do livro para ler também.

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Os Kharas

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Viva a aventura!

  • Diego Costa

    GUERREIROS… VENHAM AQUI BRIGAR… GUERREIROS!

    Bem, demorei a comentar e fui cobrado e estar aqui, então, vamos lá!

    Primeiro, que bela introdução sobre o universo das gangues reais, porém, acho que já que vc citou a luta por Five Points que é “narrada” em Gangues de Nova Iorque, poderia ter agraciado aos fãs e ter citado filmes que trazem o universo da luta por território dos Bloods e Crips, como é caso de BOYZ’N THE HOOD – OS DONOS DA RUA (1991) e o fenomenal PERIGO PARA SOCIEDADE(1993) que contam justamente a historias destas e outras gangues dos subúrbios americanos.

    Akira é um show e não precisa de muitas citações. SHOW!

    Agora, vamos ao que interessa: THE WARRIORS!

    The Warriors não é um filme, mas uma obra de arte, claro que tem umas falhas, mas devemos observar a época do filme e o que se trata de uma adaptação do romance de Sol Yurick, que por sinal é muito foda!
    Os guerreiros são o tipo grupo de RPG bem organizado: todos tem um papel ali e nenhum tenta tomar a frente das tarefas dos outros, por exemplo: Ajax é o porradeiro e sabe que não é bom de conversa, por isso, não se intromete nos assuntos que são delegados à Swan ou Snow. Da mesma forma que nenhum deles desrespeita a autoridade de Cleon, mas não sabendo se ele morreu ou não.

    Ah, vc se engana quanto a morte de Cleon, pois o filme não diz se ele morreu, e de acordo com os roteiristas, isso sempre foi uma duvida, tanto que quando cogitaram fazer uma sequencia, pairou a duvida: Cleon morreu ou simplesmente estava no hospital?

    Bem, teu texto ta foda como sempre, parabens!

    Falta mencionar umas gangues ai, mas deixamos para uma parte 2, certo!?

    ABS