[Memory Khard] – Girl Power

O mundo mudou. A sociedade deu grandes passos em sua evolução e o grande mérito é como as mulheres tem mais espaço em um mundo ainda bem machista nos dias de hoje.

Até o início do século XX, o voto, na quase totalidade dos países, era um direito exclusivo dos homens – especialmente de homens ricos.  No cenário de grandes transformações que foi o século XX, as ativistas que se mobilizaram pelo direito feminino à participação política ficaram conhecidas como sufragistas. Na Grã-Bretanha, o movimento das mulheres conquistou o direito ao voto após a primeira Guerra Mundial. O exemplo das mulheres britânicas espalhou-se pela Europa. Em alguns países, como Suécia e Noruega, o número de eleitoras superou o de eleitores. O dia 24 de fevereiro foi um marco na história da mulher brasileira. No código eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o voto feminino no Brasil foi assegurado, após intensa campanha nacional pelo direito das mulheres ao voto.

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Não faria sentido abordar o papel da Mulher no cinema sem, inicialmente, tratar da história do cinema. Como era bastante óbvio para a maioria, a mulher não influencia o surgimento da Sétima Arte; no entanto, seria incompreensível abordar tal tema sem referir os grandes feitos primordiais, atribuídos a homens, e percorrendo a evolução do papel da mulher ao longo da história do cinema impactando as suas primeiras manifestações no mundo cinematográfico. Estas manifestações trabalham em dois sentidos: por um lado, um papel ou personagem influenciará as mentalidades da sociedade sua contemporânea; por outro, a própria sociedade será transportada para a grande tela, e permitirá a construção de personagens. Eu poderia aqui, focar mais na historia de como elas foram galgando espaço nesse mundo literário, mas irei me concentrar nas mulheres que eu considero importantes para o cinema.

Sigourney Weaver – Tenente Ellen Ripley.

Até hoje só vi dois filmes da serie Allien. Os dois primeiros filmes são excelentes, o terceiro e quarto filme nunca assisti e Prometheus também não vi ainda. O que vale ressaltar sobre a personagem vivida Sigourney Weaver é a forma profunda com que a atriz se transformou na personagem e em todas as camadas de sua personalidade. É impossível dissociar sua imagem, com seu semblante serio e rosto de forte expressão. Mérito de Ridley Scott diretor de Alien, para uma personagem feminina em sua carreira, sem dúvidas. Um trabalho tão incrível que nunca conseguiu ser reproduzido novamente no cinema de ação e ficção cientifica.

 

Milla Jovovich – Alice

“Quando nos fizemos o primeiro Resident Evil, todos em Hollywod diziam que filmes de ação com mulheres não davam certo.”

Essas são as palavras de Paul W.S Anderson, diretor da franquia de filmes de Resident Evil e marido de Milla Jovovich.  Resident Evil é uma das franquias mais bem sucedidas da história dos games, isso não há como negar. Se existe um ícone feminino de filmes de ação, com personalidade e que é responsável por continuar o legado de suas antecessoras é Alice de Resident Evil. Muita gente pode reclamar da franquia, dizer que ela não é fiel ao game, que não respeitam os personagens e etc. Mas temos que concordar que a personagem vivida por Milla Jovovich é a franquia. Até entendo o rumo que os filmes tomaram, deixando para trás a fidelidade dos games, mas que Alice é uma das heroínas mais icônicas nesse período. A franquia terá o seu fim agora em 2017, vamos ver quem ira ocupar esse lugar de heroína de filme de ação que Milla Jovovich fez muito bem até hoje.

 

Mulher Maravilha

 

Mulher Maravilha ou Wonder Woman foi criada por William Moulton Marston, e foi a primeira heroína da DC Comics! Sua primeira revista foi publicada em dezembro de 1941, nos Estados Unidos. Englobando todo o lado fictício de quadrinhos e cinema ela é a o personagem feminino mais importante nos dias de hoje. Afinal de contas toda mulher tem um pouco da heroína dentro de si, encarando varias batalhas no seu dia a dia.  Nunca fui fã de historias solo dela. Existe uma ou duas historias “legais”, mas ela realmente funciona em equipe junto com os demais heróis. Por isso mesmo que ela, Batman e Superman, formam a Trindade de heróis da DC Comics. Foram feitas adaptações para televisão. Como o desenho do Super Amigos, Liga da Justiça e a serie feita por Linda Carter. Mas o que realmente é aguardado por muitos ( principalmente eu) é o seu filme que ira sair esse ano. Vamos aguardar porque é a única esperança da Warner/DC.

Por falar de “única esperança” não posso terminar essa Memory Khard sem falar dela…

 

Carrie Fisher – Princesa Leia.

Carrie Fisher começou a carreira ainda criança, ao lado da mãe e atriz Debbie Reynolds, na TV. Em 1977, aos 21 anos de idade, Carrie foi escalada para viver o papel que mudaria sua vida para sempre. Em Star Wars, uma saga feita para o público nerd, ela foi a personagem ideal para introduzir esse mundo também às mulheres. Leia era tudo o que uma princesa tinha que ser, longe de estereótipos de beleza e comportamento. Seu talento não era só em Star Wars, Carrie tem na bagagem cinco romances, o primeiro sendo um autobiográfico chamado Postcards From The Edge (1987), o qual a autora adaptou para um filme de mesmo nome no anos 90.

Mas o grande destaque de Fisher na literatura é mesmo suas autobiografias, que descrevem em detalhes sua vida amorosa, profissional e seus problemas psicológicos e com drogas. O livro Wishful Drinking, de 2008, é uma adaptação do monólogo teatral de Carrie Fisher, onde expôs seus anos mais loucos e memórias da época de Star Wars. Ainda este ano, a atriz recebeu um prêmio da Universidade de Harvard por seu ativismo com relação às doenças mentais e abuso de drogas, sempre usando de sua empatia e criatividade.

O papel de Fisher nesta discussão foi e ainda é extremamente necessário. Ela entendeu como ninguém o quanto é importante falar sobre o assunto, romper este tabu, para que tenhamos entendimento e tratemos o problema sem preconceitos. Fica claro que por meio de seus livros e entrevistas foi uma válvula de escape para lutar contra seus próprios demônios.

Carrie nos deixou no final do ano de 2016 assim como a sua mãe Debbie Reynolds três dias depois. Foi uma perda muito grande para o cinema, mas principalmente para os fãs de Star Wars, pois nunca veremos o nosso trio favorito junto novamente. Um distúrbio na força aconteceu, mas já dizia Yoda:

 

“A morte é parte natural da Vida. Regozije-se por aqueles que se uniram com a Força. Não lamente por eles. Não sinta falta deles. O apego leva à inveja. À sombra da cobiça, isso sim.”

Nunca nos esqueceremos de você Princesa…

Texto David Ferreira
Revisão J. A. Zacharski

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